Baseado em fatos reais:
E do Nada Nasce a Revolução. E da Revolução se Volta ao Nada.
Final de tarde. Três amigos iniciam um diálogo em um posto de gasolina, que continua no carro:
Thiago – É! A copa do mundo tá chegando.
Juninho – É mesmo, né parceiro.
Thiago – Vou torcer pela Itália. Desde que o Brasil entregou aquele jogo pra França em 1998 que não torço mais pro Brasil.
Juninho – É mesmo. Aquilo foi a maior sacanagem. Todo mundo investiu o maior dinheiro em enfeites e churrasco pro Brasil fazer aquilo.
Carlos – Eu também acho que o Brasil entregou aquele jogo.
Juninho – Por isso que agora eu torço pela Inglaterra.
Carlos – Querem saber de uma coisa? Eu vou torcer pela Argentina. E sabem por quê? Porque o povo argentino é nacionalista de verdade. No Brasil só se é nacionalista com futebol.
Juninho – Podes crer! Lá eles não dão mole pro governo não.
Thiago – Aqui no Brasil tudo acontece e ninguém faz nada.
Carlos – Isso! Aqui ganhamos mal, somos mal atendidos na saúde e na educação e ninguém faz nada. Agora pra futebol...
Thiago – É! O Brasil ganha e pessoal esquece de tudo.
Juninho – Ninguém pensa no amanhã. Só querem curtição...
Carlos – Ninguém pensa a longo prazo...
Juninho – O pessoal só quer saber de vender o Brasil.
Carlos – Como estão fazendo com a Amazônia. Teve até um europeu que comprou uma área enorme na Amazônia dizendo que queria proteger o lugar.
Thiago – E o governo autorizou isso?
Carlos – Pra variar, sim. Imaginem se o cara estiver mal intencionado. E mais: mesmo que ele seja bem intencionado não se sabe como agirão os seus herdeiros.
Escrito por Carlos Turque às 11h46
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Juninho – Ih! E tem também aquele lance da base militar dos Estados Unidos lá no nordeste. Nenhum brasileiro pode entrar lá.
Thiago – Que absurdo! Esses caras vêm pra cá e pensam que podem fazer o que quiser. Acho que na Argentina não fariam isso não.
Carlos – É a base de Alcântara, no Maranhão. Só que esse acordo ainda não foi firmado.
Juninho – Foi o Fernando Henrique que aceitou isso. Esse cara vendeu o Brasil.
Thiago – Pô! Eu fico pensando. Em quem vou votar nas próximas eleições? Não consigo pensar em ninguém.
Juninho – Acho que vou anular o meu voto.
Carlos – E eu tenho certeza. O voto é uma coisa muito importante. Quando votamos damos muito poder a uma pessoa.
Thiago – É verdade...
Juninho – O cara pode roubar...
Carlos – ...além disso, quando votamos damos a eles altos salários, regalias, imunidade parlamentar...
Thiago – Isso tinha que mudar. Não tenho ânimo pra votar em ninguém. Não consigo acreditar em ninguém.
Carlos - Não acredito nesse sistema político. Não acredito que alguém possa nos representar de verdade. Vocês acreditam?
Thiago – Não mesmo.
Juninho – Vejam a Ampla. Faz o que quer aqui no Brasil.
Carlos – E essa empresa foi expulsa do Chile. Depois tentou entrar na Argentina e o povo protestou. Onde ela veio parar? Aqui no Brasil, né.
Thiago – Esse negócio do chip pra medir o gasto de energia é a maior furada. Você não sabe o quanto gastou e nem pelo que tá pagando.
Carlos – É igual essa Telemar. Nós pagamos esse lance de pulsos excedentes e nem sabemos se gastamos aquilo que eles cobram mesmo.
Escrito por Carlos Turque às 11h41
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Juninho – E esses políticos não vêem isso. Não fazem nada por nós. As empresas podem tudo e povo não pode nada.
Thiago – Vejam só o caso do PT. Que decepção!
Juninho – Mas peraí, parceiro. Essas mutretas que descobriram sempre existiram. E o Lula, como é inexperiente, deu mole e deixou descobrir.
Carlos – Sempre existia, mas eles continuaram. Esse foi o mole.
Thiago – Eu não voto mais no Lula. Era a maior esperança que agente tinha e aconteceu tudo isso.
Juninho – Pô, mas entre continuar o PT ou voltar aqueles caras do PSDB é muito melhor continuar o PT.
Carlos – Acho que seria menos pior.
Thiago – É! Não temos opção mesmo.
Carlos – Pô! Tô cheio de fome.
Juninho – Eu também.
Thiago – É mesmo! Tá brabo!
Carlos – Vamos parar naquela padaria ali.
Juninho – Beleza!
Thiago – Pode ser!
Carlos – Agente divide uma pão com queijo e presunto e uma Pepsi.
Juninho – Já é!
O carro pára e os três amigos seguem pra matar uma de suas fomes.
Escrito por Carlos Turque às 11h40
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