Olá amigos! Obrigado pelos comentários e pelas visitas! Sem que nem todos que passam por aqui comentam, mas só em saber que se interessam em ler já me deixa satisfeito. um grande abraço a todos! Segue o post:
Tempos atrás, vida de boy. Como eu enfrentava filas! Era uma mais insuportável que a outra. Até que um dia um bêbado louco fez valer a pena. Ele penetrou no mundo pacato e civilizado dos homens sãos quando surgiu pela porta giratória do banco e cantou: “deitado eternamente em berço esplendido...”. Ao final do “esplendido” todos lá dentro já miravam os olhares naquele profeta marginal. E como se estivesse empolgado com as expressões atentas e assustadas em sua direção, ele proferiu sua sábia sentença: “Gente, vamos Levantar! Não vamos ficar eternamente deitados! Temos que lutar contra o sistema...”. Ah, mas não é que os guardas levantaram?! Levantaram e foram conduzindo o pobre cidadão pra fora do banco. De dentro ainda era possível ouvir os seus gritos de ordem. Todos riram. Eu também ri. Não só ri como fiquei com aquelas cena e frase na cabeça. Voltei ao escritório e algumas horas depois o meu expediente encerrou.
Quando entrei na barca pra ir embora comecei a pensar e perceber quantas mentiras existem na letra do hino nacional. Quantas mesmo! Acabei concluindo que o homem tinha razão. Comecei a lembrar da época da escola em que aprendi a cantar: “...e o sol da liberdade em raios fúlgidos brilhou no céu da pátria nesse instante...”. Mas hoje me pergunto: que raio de liberdade é essa? Liberdade financeira? Liberdade de ir e vir? A dependência econômica e a violência, respectivamente, dizem-me que não.
O que dizer então de: “Se o penhor dessa igualdade conseguimos conquistar com braço forte”? Ahahaha! Que igualdade? Aqui? No Brasil? Os pretos me dizem que não. Os pobres e deficientes também desconhecem. Sem contar que nada foi conquistado com braço forte. Nada de um D.Pedro heróico gritando em cima de um cavalo: “Independência ou morte”. Já sabemos que nada foi assim e que tudo foi um jogo de interesses.
Ah, e vejam como essa parte também é engraçada: “...e diga o verde-louro dessa flâmula: paz no futuro e glória no passado”. Putz, será que esse hino é mesmo do Brasil? Glória no passado? Os escravos não devem achar isso. Os índios também não. Paz no futuro? Será que temos essa esperança vendo a corrupção, o desrespeito e a violência tão presentes na sociedade? Minha utopia diz que preciso ter, mas a realidade me mostra o contrário.
Pra encerrar: “Se o teu futuro espelha essa grandeza...”. É melhor o futuro não espelhar “essa grandeza”, porque se assim for não teremos nem futuro. Vamos parar com essa mania de grandeza! O megalomaníaco sente uma grande tara por si mesmo e esquece do essencial. É melhor que o nosso futuro espelhe a esperança inocente da criança carente que só quer brincar e ser feliz. É tão simples! O problema é que nós seres humanos, complexos que somos, temos muita dificuldade de administrar e por em prática aquilo que é simples. Quando conseguirmos isso talvez poderemos fazer uma nova letra para o hino nacional. Ou então poderemos validar a atual. Quem sabe assim o nosso amigo bêbado e louco se acalme um pouco e consiga descansar eternamente em um berço esplendido e cheio de paz?
Escrito por Carlos Turque às 23h18
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