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Língua Solta


Oi! Tava devendo visita a um monte de gente. Mas já resolvi esse problema. E aproveitei para postar mais um texto. Ele é meio que um complemento do último. Desde já peço desculpas e paciência a vcs, pois me empolguei e acabei escrevendo demais. Um abraço!

 

Pelo que vivemos?

 

Há dois tipos de pessoas. Um é o que se faz constantemente essa pergunta. E outro é o que não se preocupa com ela. É para primeiro que eu escrevo.

Pelo que vivemos? Essa pergunta pode ter vários sentidos. Mas vamos ao mais fundamental.

Nós estudamos, trabalhamos, cansamos, descansamos, levantamos e vamos. Mas para onde nós vamos de fato?

Sabemos bem sobre os nossos objetivos? Ou seguimos pelas tendências?

Por exemplo, você quer ser rico(a)? Eu não quero. Porque o rico geralmente não tem outra preocupação na vida a não ser conservar e aumentar os seus bens. Não vejo sentido em colocar todas as minhas forças em algo tão efêmero. Mas vale a ressalva de que também não quero ser pobre. Seria demagogia demais proclamar isso.

Reparem que em muitos lares sobram a comida e o luxo, mas faltam o amor e o respeito. Não fosse assim não veríamos tantos jovens “bem cuidados” envolvidos com crimes que antes eram creditados apenas ao pretos, pobres e favelados.

Por que confiamos tanto em coisas materiais e aparentes? Por que almejamos tanto uma casa bela, um carro sensacional e um emprego que nos enriqueça e forneça status?

Por que acreditamos que o Ter é mais importante que o Ser?

Por que ficamos com medo quando aquele “crioulinho” sobe no ônibus?

Por que damos graças a Deus quando ele desce?

E olha que os verdadeiros ladrões são muito bem aparentados. Andam de terno e gravata, possuem carro do ano e só comem do bom e do melhor.

Mas são eles que arrasam com a nossa sociedade, são eles que financiam o tráfico de drogas, são eles que nos maltratam e jogam contra nós.

Pobres de espírito somos nós se nos tornamos tão banais, se julgamos pela aparência, se acreditamos que podemos ser melhores que alguém porque possuímos muitos bens ou temos mais status.

Pelo que nós vivemos? Pelo que devemos viver?

O mundo não é perfeito e nunca será. Mas ele pode se tornar um pouquinho melhor se amarmos as pessoas incondicionalmente e sem querer nada em troca.

O nosso grande mal é viver a política do olho por olho, dente por dente.

Só amo se me amarem. Só sou simpático se forem assim comigo. Só respeito se me respeitarem. Só agradeço se a pessoa fez de coração.

Como é difícil pensar e agir diferente disso! Mas acredito que tem que ser assim.

O afeto não precisa trafegar em uma estrada de mão dupla.

Basta que ele saia de nós em direção às pessoas. E sem distinção, pois se, de maneira honesta, começarmos a querer medir quem merece e quem não merece, acabaremos descobrindo que nós mesmos não merecemos.

A alegria ESTÁ, mas a felicidade É, pois alguém pode estar alegre sem ser feliz.

E geralmente, estas são as que vivem pelo que é supérfluo e deixam de ter fé nas coisas que são essenciais.

Que nós nunca deixemos de nos fazer essa pergunta que intitula o texto. E para aqueles que não a fazem só resta acreditar no que diz aquela música, fazendo apenas uma pequena adaptação: o “acaso” vai protegê-los enquanto estiverem distraídos.

 



Escrito por Carlos Turque às 00h11
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