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Olá! Sejam sempre bem-vindos! O meu texto de hoje é pequeno e, como sempre, inclui minha visão de mundo e algumas experiências pessoais. Nele procurei relacionar os ciclos da natureza humana ao simbolismo do ciclo das estações do ano:

 

       O outono que termina encerra os rastros de folhas que caem no chão! É a minha alma que precisa começar a ser renovada, assim como as árvores também precisam para que dêem bons frutos. Cada sentimento negativo deve cair como uma folha que não serve mais.

       E o inverno que vem! É o período mais ameno e mais seco. É hora de amenizar o meu coração e educar os impulsos que me levam a ser sempre o vilão. E é hora também de secar as lágrimas. Eles foram importantes para o crescimento, mas já não servem mais.

       E a primavera! Ah, a primavera! Ela traz muitas esperanças nos ares. Traz renovação, traz alegrias. Sob sua Majestade talvez um dia eu encontre alguém não vai julgar ser bem mais do que eu mereço. Afinal, acho que pelo menos o mínimo eu mereço.

       Finalmente o verão! Nele o forte calor queima todo o rancor que possa ter restado. Com ele também vêm os temporais e com eles os trovões e os raios. Benditos raios! Poucos sabem, mas eles são essenciais para a purificação da atmosfera, pois pulverizam muitas partículas acumuladas e nocivas, além de produzirem novas substâncias que fertilizam a terra. Então, que cada raio do verão limpe o que ainda estiver sujo em mim. Que cada temporal possa ajudar a fertilizar o solo do meu coração. E que cada trovão afugente os medos, as decepções, os pessimismos e a falta de perdão. Tudo isso pra que eu me aceite mais como sou e pra que eu também aceite os outros como são.

       E se mesmo com todas essas oportunidades ainda restar algo de ruim, fica a esperança de que ele caia por terra junto com as folhas do novo outono que se aproxima, nesse ciclo interminável que é a natureza e que também é a natureza humana.

 



Escrito por Carlos Turque às 23h11
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Baseado em fatos reais:

 

E do Nada Nasce a Revolução. E da Revolução se Volta ao Nada.

 

          Final de tarde. Três amigos iniciam um diálogo em um posto de gasolina, que continua no carro:

 

Thiago – É! A copa do mundo tá chegando.

Juninho – É mesmo, né parceiro.

Thiago – Vou torcer pela Itália. Desde que o Brasil entregou aquele jogo pra França em 1998 que não torço mais pro Brasil.

Juninho – É mesmo. Aquilo foi a maior sacanagem. Todo mundo investiu o maior dinheiro em enfeites e churrasco pro Brasil fazer aquilo.

Carlos – Eu também acho que o Brasil entregou aquele jogo.

Juninho – Por isso que agora eu torço pela Inglaterra.

Carlos – Querem saber de uma coisa? Eu vou torcer pela Argentina. E sabem por quê? Porque o povo argentino é nacionalista de verdade. No Brasil só se é nacionalista com futebol.

Juninho – Podes crer! Lá eles não dão mole pro governo não.

Thiago – Aqui no Brasil tudo acontece e ninguém faz nada.

Carlos – Isso! Aqui ganhamos mal, somos mal atendidos na saúde e na educação e ninguém faz nada. Agora pra futebol...

Thiago – É! O Brasil ganha e pessoal esquece de tudo.

Juninho –  Ninguém pensa no amanhã. Só querem curtição...

Carlos – Ninguém pensa a longo prazo...

Juninho – O pessoal só quer saber de vender o Brasil.

Carlos – Como estão fazendo com a Amazônia. Teve até um europeu que comprou uma área enorme na Amazônia dizendo que queria proteger o lugar.

Thiago – E o governo autorizou isso?

Carlos – Pra variar, sim. Imaginem se o cara estiver mal intencionado. E mais: mesmo que ele seja bem intencionado não se sabe como agirão os seus herdeiros.



Escrito por Carlos Turque às 11h46
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Juninho – Ih! E tem também aquele lance da base militar dos Estados Unidos lá no nordeste. Nenhum brasileiro pode entrar lá.

Thiago – Que absurdo! Esses caras vêm pra cá e pensam que podem fazer o que quiser. Acho que na Argentina não fariam isso não.

Carlos – É a base de Alcântara, no Maranhão. Só que esse acordo ainda não foi firmado.

Juninho – Foi o Fernando Henrique que aceitou isso. Esse cara vendeu o Brasil.

Thiago – Pô! Eu fico pensando. Em quem vou votar nas próximas eleições? Não consigo pensar em ninguém.

Juninho – Acho que vou anular o meu voto.

Carlos – E eu tenho certeza. O voto é uma coisa muito importante. Quando votamos damos muito poder a uma pessoa.

Thiago – É verdade...

Juninho – O cara pode roubar...

Carlos – ...além disso, quando votamos damos a eles altos salários, regalias, imunidade parlamentar...

Thiago – Isso tinha que mudar. Não tenho ânimo pra votar em ninguém. Não consigo acreditar em ninguém.

Carlos - Não acredito nesse sistema político. Não acredito que alguém possa nos representar de verdade. Vocês acreditam?

Thiago – Não mesmo.

Juninho – Vejam a Ampla. Faz o que quer aqui no Brasil.

Carlos – E essa empresa foi expulsa do Chile. Depois tentou entrar na Argentina e o povo protestou. Onde ela veio parar? Aqui no Brasil, né.

Thiago – Esse negócio do chip pra medir o gasto de energia é a maior furada. Você não sabe o quanto gastou e nem pelo que tá pagando.

Carlos – É igual essa Telemar. Nós pagamos esse lance de pulsos excedentes e nem sabemos se gastamos aquilo que eles cobram mesmo.



Escrito por Carlos Turque às 11h41
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Juninho – E esses políticos não vêem isso. Não fazem nada por nós. As empresas podem tudo e povo não pode nada.

Thiago – Vejam só o caso do PT. Que decepção!

Juninho – Mas peraí, parceiro. Essas mutretas que descobriram sempre existiram. E o Lula, como é inexperiente, deu mole e deixou descobrir.

Carlos – Sempre existia, mas eles continuaram. Esse foi o mole.

Thiago – Eu não voto mais no Lula. Era a maior esperança que agente tinha e aconteceu tudo isso.

Juninho – Pô, mas entre continuar o PT ou voltar aqueles caras do PSDB é muito melhor continuar o PT.

Carlos – Acho que seria menos pior.

Thiago – É! Não temos opção mesmo.

Carlos – Pô! Tô cheio de fome.

Juninho – Eu também.

Thiago – É mesmo! Tá brabo!

Carlos – Vamos parar naquela padaria ali.

Juninho – Beleza!

Thiago – Pode ser!

Carlos – Agente divide uma pão com queijo e presunto e uma Pepsi.

Juninho – Já é!

 

O carro pára e os três amigos seguem pra matar uma de suas fomes.

 



Escrito por Carlos Turque às 11h40
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   Olá! Estou demorando a atualizar devido à falta de tempo e à preguiça também. Também estou procurando ser bem suscinto nos meus textos. O de hoje é uma pequena reflexão. Um abraço a todos!!!

Orkut

 

        Um dia eu estava atento. Vi que tinha mais de trezentos amigos no orkut. Vi também que estava em quase cem comunidades. Foi quando a dúvida e a insegurança vieram. Procurei no dicionário os significados das palavras “amizade” e “comunidade”. Para aquela encontrei: “sentimento fiel de afeição, estima ou ternura entre pessoas que em geral não são parentes e nem amantes”. Já para a segunda achei: “grupo de pessoas que comungam das mesmas idéias”.

        Eis a questão: será que quando adicionamos e aceitamos amigos ou quando entramos em comunidades estamos banalizando os sentidos originais dessas duas palavras? O que é ter um amigo? Ou melhor, o que é ser amigo? E o que é comungar das mesmas idéias e valores de um grupo? Alguns podem me responder dizendo que não devo levar essa história de orkut tão a sério. Mas sei lá! Todas aquelas carinhas que aparecem na minha página principal não são meros objetos. São seres humanos. E sou amigo deles. Mas será que quando eles precisarem de um amigo de verdade eu vou estar lá? Serei um amigo verdadeiro? Além disso, viver em comunhão com os outros é tão difícil, como então eu consigo estar em quase cem comunidades?

       Não estou demonizando o orkut. Aliás, sou um viciado confesso. Sei que ele me proporciona coisas legais como reencontro com amigos, contatos permanentes e até mesmo informações interessantes em algumas comunidades, mesmo que tudo isso custe um pouco da minha privacidade. Faço então uma última indagação: se no mundo virtual conseguimos tantos laços de amizade e de comunhão por que nem sempre isso é possível no mundo real? Se é que podemos separar esses dois mundos, pois mesmo o mundo virtual não deixa de ser real.

 

 



Escrito por Carlos Turque às 00h45
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    Oi, queridos amigos! Espero que esteja tudo bem com vocês. Não vou continuar aquela história do jogo agora. Hoje, pela primeira vez, vou fazer isso aqui de diário, mas só porque me senti estranhamente diferente. Um abraço!!!

      Hoje foi um dia de domingo atípico. Um dia capitalista pra ser mais exato. Ou seja, um dia que costumo odiar. Mas dessa vez foi diferente... estranhamente diferente. À tarde, fui prestar concurso público pra uma empresa ligada à cultura. A prova foi em uma universidade extremamente capitalista e que fica dentro de um shopping, o templo do consumo. Que prova difícil! Foram algumas horas lá dentro. Quando saí fiquei impressionado com o tamanho do shopping. Nunca vi igual! Fica em Del Castilho, subúrbio do Rio. Bem longe da minha casa. E o nome é bem sugestivo: Nova América.

    Já estava noitinha quando comecei a passear por lá. Eu me impressionava cada vez mais. “Quanta gente, quanta alegria...”. Eu andava, perdia-me, andava, perdia-me. Não tava nem aí. Queria me perder mesmo. Não encontrava com ninguém conhecido. E isso era legal. Não que eu não goste de encontrar conhecidos, mas tava gostando de curtir anonimamente. Se bem que acabei cruzando com uma pessoa conhecida. Em qualquer lugar sempre encontramos, né!

     Aquilo tudo me parecia um lugar mágico, sentia-me feito criança! Nem me preocupava com a hora de vir embora pra casa. Olhei tudo e todos. O lugar era bem bonito. As mulheres também. E como eram. Continuei andando até que me veio uma coisa na cabeça: “agora só falta lanchar no Mc Donald`s”. E eu o fiz sem pensar duas vezes. Depois andei por uma rua lá dentro que me lembrou o Arco dos Teles, no centro do Rio. Pessoas reunidas nos bares, conversando e tomando chopp. Ah, meus tempos de boy! Cheguei até a parar pra ver um pouquinho do futebol que passava no telão. Mas quando o meu Vasco levou um gol de empate do Fluminense desanimei e fui-me dali. Já era hora de ir. Tinha que ser rápido, pois o metrô passaria pelo Maracanã e não queria pegar o tumulto do fim da partida.

     No momento em que saia do shopping sentia-me diferente. E o que é pior: estranhamente... feliz!? Sozinho e feliz. Mas logo eu feliz dentro de um shopping? O que está havendo comigo? Fiquei pensando nisso enquanto seguia pra pegar dois metrôs e um ônibus pra voltar pra casa.

     Acho que preciso rever meus conceitos...

 



Escrito por Carlos Turque às 23h13
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Olá! Sejam sempre bem-vindos, queridos amigos! Hoje posto parte de uma pequena história. Um abraço a todos!

      Final de copa do mundo. Mais de cem mil pessoas no estádio e milhões de telespectadores ao redor do mundo. Todos os jogadores dando tudo pelo título, principalmente um: o camisa 9 da seleção branca. Ele corre além de suas forças, salta, cai, levanta, sangra e sua... como sua. Primeiro tempo, segundo tempo, prorrogação e agora pênaltis. Tudo será decidido nos pênaltis.

     Os cinco jogadores da seleção preta bateram seus pênaltis. Todos fizeram. Já pela seleção branca foram quatro cobranças até então. Todas igualmente convertidas. Chegou a vez do quinto jogador. E era logo ele: o camisa 9. Aquele que quase deu a própria vida por sua seleção.

    O número 1 da seleção preta já esta aquecido e preparado na sua linha pra impedir o gol. O camisa 9 se aproxima e com muita calma coloca a bola na marca. Dá cinco passos pra trás e pára. O estádio e o mundo param com ele. Como pode um lugar com mais de cem mil pessoas parecer o interior de uma caverna? A comparação se explica pelo intenso silêncio que se fez naquele momento.

    O juiz apita. O camisa 9 corre pra bola chuta. Foi bola pra um lado e goleiro pro outro. Porém, no meio do caminho tinha uma trave. Tinha uma trave no meio do caminho. O estádio explode de comemoração pelo título da seleção preta. O camisa 9 pára, põe as mãos sobre o rosto e chora. O camisa 1 levanta e surpreendentemente não esboça nenhuma comemoração. Apenas anda em direção ao artilheiro frustrado, segura a sua cabeça e a coloca sobre o seu peito. O camisa 9 chora compulsivamente. Chora como uma criança no colo da mãe. E o goleiro lá... consolando.

    Todos param. Todos mesmo. E ficam estarrecidos com a cena que estão vendo. O mundo inteiro aplaude. Até que o goleiro finalmente se despede do camisa 9 e vai comemorar o título com os seus companheiros de equipe. E o camisa 9 continua lá. Seus companheiros de seleção já se dirigem até ele para repetir o gesto daquele camisa 1, o goleiro do time preto.

    Essa história ainda não aconteceu, mas não sai da minha cabeça. Por que será?

 

    Continua...

 



Escrito por Carlos Turque às 00h19
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    Olá, pessoal! Nossa! Acho que dessa vez bati o meu recorde. Escrevi demais... o texto ficou muito grande. Haja paciência pra ler! Acho até que depois dessa vou ficar uns dois meses sem postar. Mas esse post é só um esboço de um artigo que quero escrever sobre um gênero musical muito comentado e controverso. Fique à vontade para comentar e dar a sua opinião. Segue abaixo em duas partes. Um abraço!!!

 

A Simbologia do “Funk” Carioca

 

     Primeiro a explicação para o fato de eu ter escrito funk entre aspas. Na verdade, esse estilo musical denominado por aqui como funk não é o funk verdadeiro. O funk de verdade é originário dos guetos norte-americanos e usa bases sólidas de instrumentos musicais com excelentes grooves de baixo. Os cantores, em geral, são excelentes. Possuem vozes firmes e vibrantes. Que o diga James Brown e Tim Maia. Nada a ver com essa colagem de ritmos repetitivos e pobres em musicalidade que se ouve por aqui. O nome mais correto para esse estilo é Miami bass, que também nasceu nos EUA.

    Mas o interesse principal do presente texto não é o de avaliar as questões técnicas que envolvem o estilo exposto. A idéia é fazer uma breve relação entre ele e a realidade em que vivemos e tentar desvendar o porquê do seu grande sucesso.

    Antes de começar, gostaria de frisar que muitos argumentam que os críticos desse estilo musical são preconceituosos, ou seja, não gostam porque é um ritmo que surgiu nas favelas e periferias do nosso Rio de Janeiro. Pode ser que haja um fundo de verdade, mas temos que ter cuidado com essa forma radical de análise, senão a argumentação dos defensores do “funk” pode ficar empobrecida. Mas deixa isso pra lá por enquanto. Também não vou me prender a essa discussão.

     Vamos ao fato: a música é um direito universal. Isso mesmo! Qualquer povo, grupo ou nação tem o direito de se expressar e extravasar suas emoções através da música. O ser humano é em si um ser musical. E, geralmente, os diferentes grupos expressam essa musicalidade de acordo com a realidade em que vivem. A música funciona como um complemento aos seus discursos, às suas visões de mundo, aos seus cotidianos, etc. É como se cantássemos aquilo que vivemos. Então eis a questão: Se Frank Sinatra pôde cantar apaixonadamente sobre as belezas de Nova Iorque, se Tom Jobim e Vinícius de Moraes puderam cantar a beleza das moças que passavam por Ipanema e se Renato Russo podia cantar o cotidiano burguês de Brasília, porque os moradores das comunidades carentes não podem cantar seus contextos de vida? Os direitos têm que ser iguais para todos.

 



Escrito por Carlos Turque às 23h04
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         Mas muitos contestam esses direitos. Argumentam que, além da pobreza musical, o “funk” costuma ter letras que incentivam a violência, a promiscuidade, o uso e o tráfico de drogas. De fato isso acontece. As letras não mencionam esses problemas de forma crítica, mas simplesmente transformam isso tudo em glamour e status. Ora, então se a música é a expressão da realidade de um povo, podemos concluir que os funkeiros cantam uma realidade de um povo que é decante. Cantam a falta de perspectivas, cantam o poder paralelo, cantam o mundinho bonitinho, mas ordinário da rede globo, cantam o prazer gratuito e barato do sexo, enfim cantam seus cotidianos do “nos viramos como podemos”.

    Muitos vão me rebater dizendo que eu estou sendo reducionista, pois supostamente eu estaria ignorando que o “funk” é uma manifestação cultural como qualquer outra. Ok, mas eu contra-argumento que toda as manifestações culturais nascem de uma realidade específica. Elas não surgem do nada. E o “funk” carioca surge sinalizando a pobreza de sonhos e de projetos na vida dos jovens de comunidades carentes. E eles batem mesmo na cara da sociedade com suas palavras chulas e cheias de erros de português. O que significa tudo isso? Significa que a música é apenas uma denuncia indireta de todo o descaso com o ser humano. Quando o funkeiro canta fazendo apologia às drogas, por exemplo, é como se dissesse inconscientemente assim: “Olhem, vejam o que me tornei!” ou então: “não tive uma família descente, não tive oportunidades, não fui amado e valorizado como merece todo ser humano, então estou me virando como posso! Não tenho nada a perder”. Aqui, vou aproveitar para ser ainda mais ousado. Vou me arriscar a dizer que se não houvesse desestruturações familiares e sociais não existiria o “funk” carioca.

     Outros agora vão me rebater: “Mas peraí, hoje em dia o “funk” não está limitado só às favelas. Tem muito mauricinho e patricinha consumindo esse estilo musical”. Perfeito. Inclusive qualquer um pode comprovar isso. Outro dia mesmo passei em frente a um baile funk meio elitista, desses voltados para pessoas de classe média e vi que a maioria que estava na fila era composta por pessoas com aparência de bem cuidadas. O que explica isso? As pessoas que gostam do “funk” e tem certo grau de esclarecimento dizem que não ligam paras as letras, apenas gostam de curtir o ritmo pra dançar e se divertir. Em parte pode ser verdade, mas se pensarmos bem têm coisas que não são possíveis dividir. Como posso falar que gosto do sono, mas não gosto de dormir ou então que gosto de sentir fome, mas não gosto de comer? Têm coisas que são indissociáveis. E a música é uma delas. Letra e ritmo se complementam. Muitas vezes, as próprias pessoas que fazem essas argumentações são preconceituosas. Isso porque, na maioria dos caso, elas não estão preocupadas com o que as pessoas das comunidades estão cantando ou indiretamente denunciando, pois só querem se divertir.

      Voltando à questão: o que explica o fato de pessoas que vivem realidades bem diferentes daquelas das comunidades carentes gostarem e consumirem esse estilo musical caracterizado por mim como reflexo da falta de perspectivas? Respondo com a verdade óbvia de que não é só nas comunidades carentes que há falta de perspectivas. Mesmo em famílias de classe média e classe alta existe uma grande falta de perspectivas, pois a falta de perspectivas não está necessariamente ligada à falta de grana. Chego então a um ponto que eu queria: O “funk” carioca surge não apenas como reflexo da pobreza, mas também como reflexo da total desestruturação social e inversão de valores em que vivemos. E tal estilo musical é apenas mais um canal que extravasa e demonstra que as coisas estão longe de estarem bem. Que estamos muito distante do mundinho cor-de-rosa do big brother e das novelinhas. Então o que fazer? Demonizar o funk e tentar excluí-lo da sociedade? Claro que não! Até porque isso não seria possível. Acredito que na medida em que as autoridades e a sociedade em geral passassem a ser menos egoísta e imediatista e investissem nos jovens, naturalmente o teor das letras do “funk” mudaria. Se os jovens fossem incentivados e levados a sério teríamos talvez letras mostrando perspectivas e críticas às formas de dominação...

    Bem, acho melhor parar por aqui porque já estou cansado e porque não quero ficar sempre terminando os meus textos com um final visionário e sensacional. Por hoje é só! “É nóis na fita!”

 

  • Ressalva importante: quando eu escrevo que o “funk” carioca expressa, com suas letras de baixa qualidade, apologias ao crime, à violência e a promiscuidade não estou generalizando. É fato que a maioria dos que vivem em comunidades carentes são cidadãos que, apesar das dificuldades, conservam sua integridade e não comungam com práticas criminosas.
  • Segunda ressalva importante: Não são todas as letras de “funk” que incentivam maus hábitos sociais. Existem até umas poucas que fazem críticas sociais. Mas grande parte das que fazem mais sucesso é de péssima qualidade e incentiva a violência, a promiscuidade e o uso e tráfico de drogas.


Escrito por Carlos Turque às 23h03
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    Olá amigos! Obrigado pelos comentários e pelas visitas! Sem que nem todos que passam por aqui comentam, mas só em saber que se interessam em ler já me deixa satisfeito. um grande abraço a todos! Segue o post:

           Tempos atrás, vida de boy. Como eu enfrentava filas! Era uma mais insuportável que a outra. Até que um dia um bêbado louco fez valer a pena. Ele penetrou no mundo pacato e civilizado dos homens sãos quando surgiu pela porta giratória do banco e cantou: “deitado eternamente em berço esplendido...”. Ao final do “esplendido” todos lá dentro já miravam os olhares naquele profeta marginal. E como se estivesse empolgado com as expressões atentas e assustadas em sua direção, ele proferiu sua sábia sentença: “Gente, vamos Levantar! Não vamos ficar eternamente deitados! Temos que lutar contra o sistema...”. Ah, mas não é que os guardas levantaram?! Levantaram e foram conduzindo o pobre cidadão pra fora do banco. De dentro ainda era possível ouvir os seus gritos de ordem. Todos riram. Eu também ri. Não só ri como fiquei com aquelas cena e frase na cabeça. Voltei ao escritório e algumas horas depois o meu expediente encerrou.

       Quando entrei na barca pra ir embora comecei a pensar e perceber quantas mentiras existem na letra do hino nacional. Quantas mesmo! Acabei concluindo que o homem tinha razão. Comecei a lembrar da época da escola em que aprendi a cantar: “...e o sol da liberdade em raios fúlgidos brilhou no céu da pátria nesse instante...”. Mas hoje me pergunto: que raio de liberdade é essa? Liberdade financeira? Liberdade de ir e vir? A dependência econômica e a violência, respectivamente, dizem-me que não.

       O que dizer então de: “Se o penhor dessa igualdade conseguimos conquistar com braço forte”? Ahahaha! Que igualdade? Aqui? No Brasil? Os pretos me dizem que não. Os pobres e deficientes também desconhecem. Sem contar que nada foi conquistado com braço forte. Nada de um D.Pedro heróico gritando em cima de um cavalo: “Independência ou morte”. Já sabemos que nada foi assim e que tudo foi um jogo de interesses.

       Ah, e vejam como essa parte também é engraçada: “...e diga o verde-louro dessa flâmula: paz no futuro e glória no passado”. Putz, será que esse hino é mesmo do Brasil? Glória no passado? Os escravos não devem achar isso. Os índios também não. Paz no futuro? Será que temos essa esperança vendo a corrupção, o desrespeito e a violência tão presentes na sociedade? Minha utopia diz que preciso ter, mas a realidade me mostra o contrário.

      Pra encerrar: “Se o teu futuro espelha essa grandeza...”. É melhor o futuro não espelhar “essa grandeza”, porque se assim for não teremos nem futuro. Vamos parar com essa mania de grandeza! O megalomaníaco sente uma grande tara por si mesmo e esquece do essencial. É melhor que o nosso futuro espelhe a esperança inocente da criança carente que só quer brincar e ser feliz. É tão simples! O problema é que nós seres humanos, complexos que somos, temos muita dificuldade de administrar e por em prática aquilo que é simples. Quando conseguirmos isso talvez poderemos fazer uma nova letra para o hino nacional. Ou então poderemos validar a atual. Quem sabe assim o nosso amigo bêbado e louco se acalme um pouco e consiga descansar eternamente em um berço esplendido e cheio de paz?

   



Escrito por Carlos Turque às 23h18
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Oi! Sei que estou em falta com meus amigos blogueiros, mas vou começar a me disciplinar pra poder voltar a visitar e comentar em todos os blogs linkados aqui.

Bem, fiquei um tempão sem postar e, sinceramente, não consegui organizar uma idéia central pra colocar aqui dessa vez, então vou copiar a fórmula da Letícia e escrever um pouquinho sobre cada coisa, mas acho que na verdade são coisas que acabam se complementando. Talvez esteja um pouco confuso, mas saiu de mim, né! Não podia ser diferente.

Um grande abraço!

 

Que cara legal aquele que me disse: “faça a sua parte e deixe as dos outros. Você não vai mudar o mundo”. Mas sabe, pra dizer a verdade, como eu gostaria de mudar o mundo! Gostaria mesmo. Queria que os maus se tornassem bons e já que todos nós temos um pouco de mau... Como queria que o mundo fosse justo comigo! Como queria estar ao lado dos excluídos, mas ao invés disso veja que pacato e conformista eu me tornei. Está tudo muito bem, tenho minhas migalhas do dia-a-dia. Panis et circense, my brother!

 

Como elas são lindas! Mal consigo raciocinar. Hipinotizam-me tanto que quase me perco em mim mesmo. Se fácil eu venho, mas fácil eu vou. E parece que quero continuar embriagado por elas. Será que serei julgado por isso? “I see a little silhouetto of a man. Scaramouch, Scaramouch will you do the fandango. Thunderbolt and lightning very, very frightening me”.

 

Outro dia ouvi: “professor não traz cultura. Temos a televisão pra isso”. É isso aí: Morte a todos os professores! Raça de fracassados que ficam mendigando por aí! Viramos inimigos número um da sociedade. Somos o lobo mau. Somos os mais odiados. Preferem seguir mais o exemplo do Ronaldinho do que os dos professores. Afinal de contas, o cara não estudou e é milionário e pode ter quase todas as mulheres que quiser. Nossa! Será que sou invejoso? Talvez só um pouquinho, mas o acho que é mais revolta com esse mundo ao contrário mesmo.

 

Temos que acordar! Não adianta ficar colocando a culpa só nos políticos ou na elite. Muitas vezes o inferno somos nós mesmos. Se eu voto por interesse estou ajudando a eleger um corrupto; se eu não devolvo o troco que me deram a mais estou sendo ladrão; se eu uso drogas estou financiando uma atividade burguesa que tira a vida de milhares de inocentes todos os anos e que desestrutura tantas famílias; enfim, quando eu aponto um dedo pros outros tem mais três apontados pra mim. É isso aí! Nem sempre o inferno são só os outros!

 

Por hoje é só!

 

 



Escrito por Carlos Turque às 23h26
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   Olá, amigos! Desejo a todos vocês um ano de 2006 muito frutuoso e cheio de paz!

   Bem, esse post de hoje, diferentemente dos outros, não é extenso. É um pequeno poema que compûs com bastante alegria. Embora possa parecer, não é necessariamente um poema amoroso, mas sim a constatação de um encantamento singelo que alguém pode provocar e que um outro alguém pode sentir. Um grande abraço!

 

Tão menina

 

Pobre menina que mora na beira do rio!

Como te esquecer? Como não sorrir lembrando dos teus encantos?

Do mesmo modo que a vida pulsa e pula, você passa e cheia de graça renova o meu coração.

Como não querer cuidar de você? Como não querer-te sobre a minha proteção?

Gostaria de esperar o rio encher e transbordar só pra poder carregá-la em meus braços

E secar o seu corpo minguado com o calor do meu abraço.

Rica menina, que faz o céu cinzento parecer um convite à felicidade.

Como não lembrar da ingenuidade de tua alma e de tua doce maneira de falar?

Como não me embriagar com o seu olhar medroso e evasivo?

Rara menina, que com apenas um toque consegue encher meu peito de alegria

E que com apenas um sorriso me deixa tão fraco em mim mesmo.

Pobre menina! Rica menina! Rara menina! Continue sempre assim, tão menina.

 

 

 

 



Escrito por Carlos Turque às 22h26
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Oi! Tava devendo visita a um monte de gente. Mas já resolvi esse problema. E aproveitei para postar mais um texto. Ele é meio que um complemento do último. Desde já peço desculpas e paciência a vcs, pois me empolguei e acabei escrevendo demais. Um abraço!

 

Pelo que vivemos?

 

Há dois tipos de pessoas. Um é o que se faz constantemente essa pergunta. E outro é o que não se preocupa com ela. É para primeiro que eu escrevo.

Pelo que vivemos? Essa pergunta pode ter vários sentidos. Mas vamos ao mais fundamental.

Nós estudamos, trabalhamos, cansamos, descansamos, levantamos e vamos. Mas para onde nós vamos de fato?

Sabemos bem sobre os nossos objetivos? Ou seguimos pelas tendências?

Por exemplo, você quer ser rico(a)? Eu não quero. Porque o rico geralmente não tem outra preocupação na vida a não ser conservar e aumentar os seus bens. Não vejo sentido em colocar todas as minhas forças em algo tão efêmero. Mas vale a ressalva de que também não quero ser pobre. Seria demagogia demais proclamar isso.

Reparem que em muitos lares sobram a comida e o luxo, mas faltam o amor e o respeito. Não fosse assim não veríamos tantos jovens “bem cuidados” envolvidos com crimes que antes eram creditados apenas ao pretos, pobres e favelados.

Por que confiamos tanto em coisas materiais e aparentes? Por que almejamos tanto uma casa bela, um carro sensacional e um emprego que nos enriqueça e forneça status?

Por que acreditamos que o Ter é mais importante que o Ser?

Por que ficamos com medo quando aquele “crioulinho” sobe no ônibus?

Por que damos graças a Deus quando ele desce?

E olha que os verdadeiros ladrões são muito bem aparentados. Andam de terno e gravata, possuem carro do ano e só comem do bom e do melhor.

Mas são eles que arrasam com a nossa sociedade, são eles que financiam o tráfico de drogas, são eles que nos maltratam e jogam contra nós.

Pobres de espírito somos nós se nos tornamos tão banais, se julgamos pela aparência, se acreditamos que podemos ser melhores que alguém porque possuímos muitos bens ou temos mais status.

Pelo que nós vivemos? Pelo que devemos viver?

O mundo não é perfeito e nunca será. Mas ele pode se tornar um pouquinho melhor se amarmos as pessoas incondicionalmente e sem querer nada em troca.

O nosso grande mal é viver a política do olho por olho, dente por dente.

Só amo se me amarem. Só sou simpático se forem assim comigo. Só respeito se me respeitarem. Só agradeço se a pessoa fez de coração.

Como é difícil pensar e agir diferente disso! Mas acredito que tem que ser assim.

O afeto não precisa trafegar em uma estrada de mão dupla.

Basta que ele saia de nós em direção às pessoas. E sem distinção, pois se, de maneira honesta, começarmos a querer medir quem merece e quem não merece, acabaremos descobrindo que nós mesmos não merecemos.

A alegria ESTÁ, mas a felicidade É, pois alguém pode estar alegre sem ser feliz.

E geralmente, estas são as que vivem pelo que é supérfluo e deixam de ter fé nas coisas que são essenciais.

Que nós nunca deixemos de nos fazer essa pergunta que intitula o texto. E para aqueles que não a fazem só resta acreditar no que diz aquela música, fazendo apenas uma pequena adaptação: o “acaso” vai protegê-los enquanto estiverem distraídos.

 



Escrito por Carlos Turque às 00h11
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 E aí pessoal? Tudo tranquilo? Bem, mesmo com toda correria de final de ano (época em que os professores mais trabalham) consegui um tempinho para mais um post. Fiz essa composição de uma tacada só. Nem revisei muito. Só espero conseguir transmitir bem o seu sentido. Aliás, é curioso ver que cada um interpreta um texto de um jeito. Isso me faz acredita que o que escrevo não é totalmente meu. Talvez todo texto deva ser 50% do seu autor e 50 % de quem lê. Um grande abraço!

O post segue abaixo, pois, pra variar, faltou espaço.



Escrito por Carlos Turque às 00h18
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  Reflexões

Por que temos sempre a sensação de que precisamos aparentar alguma coisa?

A carne do rico apodrece da mesma maneira que a do pobre,

A dor do famoso não é menor que a do anônimo,

Os que são bonitos envelhecem do mesmo jeito que os feios,

Aqueles que têm altos cargos sofrem a mesma fadiga dos que são subalternos.

Então! Alguém me diga: Por que temos sempre a sensação de que precisamos aparentar alguma coisa?

Por que achamos que temos que estar sempre bem?

Por que querer ostentar aquilo que é solúvel?

Por que pensamos que temos que gritar o mais alto possível para sermos ouvidos?

Por que queremos ter sempre razão?

Alguém lembra quem foram os seus tataravôs?

Por mais que eles tenham feito coisas importantes, mal sabemos sobre suas vidas.

Na verdade, ninguém hoje em dia sabe mais sobre eles.

E quem estará por aqui daqui a cem anos?

Quem será lembrado?

Por que a minha maneira de pensar é melhor que a do outro?

Por que a minha religião é a mais verdadeira?

Por que eu acho que preciso ser querido e bem aceito?

Quem criou todas essas expectativas?

Não! Na verdade não somos nada importantes. Somo apenas uma brisa que passa,

Assim como os nossos antepassados passaram.

Somos apenas um cisco que salta até ser quebrado.

Mas ainda assim, seguimos privilegiando o “parecer ser” ao invés do “realmente ser”.

Pra que tudo isso? Por que queremos ser os melhores?

Por que querer ganhar o tempo todo?

Já dizia aquele poeta barbudo: “Quem sempre quer vitória perde a glória de chorar”.

E é verdade! Então eu vejo o quanto ainda precisamos nos libertar de todos esses vícios.

E quando isso for possível, pensaremos: “quanto tempo de minha vida eu desperdicei preocupando-me com coisas inúteis!”.

 

 

                        

 



Escrito por Carlos Turque às 00h17
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